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domingo, outubro 12

Eu quero entrar
E gritar
Dentro de ti:

- Te fodi!

quinta-feira, outubro 9

Apenas Praça

Acordo todos os dias antes do Sol nascer. É, insônia é um problema. Faço um café forte e como minhas sagradas bolachas de chocolate. Ligo o som e caminho cantarolando para um banho quente. E concretizando minha rotina, pego meu caderno e dirijo-me à praça perto de casa.
Já está ensolarado quando sento no banquinho de madeira de sempre e começo a jogar migalhas de pães ao redor dos meus pés pequenos. Meus olhos castanhos buscam inspiração, não encontram nada. Mesmo assim, abro calmamente meu caderno novo (na esperança de uma vida nova) e começo escrevendo sobre a praça.
É aqui que freqüento, trabalho, existo, é aqui que amo. É exatamente desta praça movimentada que surgem os poemas mais calmos. É nessa praça viva, lotada de gente, que escrevo a morte na solidão. As nuvens, os pássaros, as árvores, as crianças, os homens... São tão completos por si só que o que me resta é escrever o que tentei ser, o que eles são.
Para ser sincera, eu não sou. Deixo de ser todos os dias para escrever sobre os que são. Não ser é ser todos em uma folha de papel, e ser ninguém em uma praça. Talvez eu tenha me cansado cedo demais, fui muito antes. Eu era todo mundo sempre, mas percebi que não há graça nisso. Decidi não ser.


Essa vai pro Cacildo - professor de redação - que me fez escrever meu suposto futuro em 25 minutos valendo 10.