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sábado, fevereiro 2

Dois loucos e um morto

- Eu gosto de matar, doutor. Sabe?
- Matar é tão bom, é excitante, é vicioso. Não me importo de agir assim, tirar vidas...
- Eu adoro ver o desespero das pessoas, doutor. Os olhinhos cheios de lágrimas e já crentes; é Deus pra lá, Deus pra cá. E eu fico ali, rindo de suas esperanças. Ora, ora, doutor... eles nunca vão aprender que Deus não salva? Não quando sou eu quem mato.
- Eles lutam, gritam, pedem, imploram e depois percebem que não vai adiantar muita coisa. Percebem como são fracos. É delicioso, doutor. Todos são tão cheios de si, todos têm a solução pro mundo, todos são vencedores... poupe-me, doutor.
- Sabe, o prazer de ver seus pesadelos se tornarem realidade, o prazer de ver eles murchando, sem solução alguma, derrotados; confesso que me causa sempre uma boa ereção. Oh, doutor, por favor, não ache doido, hahaha.
- Ontem o garoto chorava e gritava tanto que tive vontade de fazer sexo com ele naquela mesma hora. Por pouco, doutor. Mas já adianto que o prazer de quebrar-lhe os ossos é maior. Muito maior, doutor. Até parece loucura, doutor... até parece.
- O senhor acredita em mim? É claro que acredita, por que não acreditaria, hmm? Continuando. Já matei todo tipo de pessoa, de tudo quanto é jeito. Mas não foi pra ficar contando minhas histórias que vim aqui, doutor. Eu gostaria de saber onde encontro Deus, vou matá-lo também. Isso não é legal? Aposto que o senhor não conhece ninguém que queira encontrar Deus para matá-lo... E eu sei que o senhor tem a resposta.
- Doutor? Doutor! Não, que que isso? Aaaaaaah, Deus! Pare, doutor. Socorro! Eeeeei, alguém? Deus, socorro! Pare, dou...