Leia!

Leia e comente.

quarta-feira, dezembro 12

Cachaço



"Seus dentes e seus olhares/ Mastigam meu corpo e juízo/ Devoram os meus sentidos/ Eu já não me importo com isso/ Então são mãos e braços/ Beijos e abraços/ Pele, barriga e seus laços.." Leoni


Quem me dera estar a lamber, morder, beijar e acariciar o teu colo. O faria com tanta paixão e vulgaridade que me rasgariam a pele. Esta é a mais corajosa das vontades minhas, não nego. Quem me dera estar a sentir o cheiro do teu colo e soltar um sorriso do fundo do coração. Desejo beijar-lhe o pescoço com esse meu desmedido egoísmo humano. Quero aproveitar este teu colo fino, que me chama e me faz suspirar, clamar, pirar. Quero aproveitar tudo que tu tens. Quero devorar-lhe com devoção intensa e imensa, a mesma que por meses pratiquei com os olhos. Quero devorar o teu colo e pousar em teu coração.

terça-feira, dezembro 4

Mijado


Sentia vontade de comer um doce. Desses doces que são vendidos em barraquinhas quando se está numa cidade grande. Ele estava numa cidade pequena. Estava numa cidade onde todos eram bêbados, poetas, músicos, coitados, viciados, cornos, frustrados, idiotas, loucos. Ele estava se sentindo louco também, mas sabia que se louco fosse, sabia que se todos realmente fossem loucos estariam se livrando de suas igualdades submersas em suas diferenças. É, talvez não. Mas ele achava que pelo menos melhoraria a situação dessa cidade onde não se vendia doces em barraquinhas.
Ele era velho e urinava nas calças, contradizendo-se de hora em hora, enquanto as pessoas passavam e reparavam horrorizadas. Sabe, ele não era tão velho assim, pra ser sincera. Mas parecia bem mais velho com aquele chapéu desbotado e com aquela calça molhada. E ele também usava uma bengala, parecia coxo, mas ninguém sabia ao certo.
Enquanto seu estômago reclamava por um daqueles malditos doces de cidade grande, ele reparava na pequena e apressada movimentação da cidade. Incrível como todo mundo tem opinião, não é mesmo? Incrível como todas aquelas pessoas têm a solução pro Brasil, pro mundo; na ponta da língua esperando alguém lá do poder escutá-las, porque, afinal, são pobre-coitadas que ninguém ouve mesmo. E só ele não achava a solução, somente ele não tinha opiniões, argumentos, teorias, planos revolucionários. Somente ele não era o dono da verdade.
Se pá, tinham explicação do porque ele havia se tornado velho tão rápido. Se pá, ele era um plágio de uma história sem opinião, só podia ser isso.

sexta-feira, novembro 23

Aqui

Venha cá
Quero lhe contar meu dia
Dizer que hoje
Eu aprendi a te amar

sábado, outubro 20

Batom



Ela estava louca por mim.

Debruçou sobre o vaso sanitário, perdeu as forças fracas que ainda restavam-lhe. Deixou seu corpo imundo jogado aqui, bem aqui. Ela inexplicavelmente não parava de pensar em mim. Pensava em mim o tempo todo, o tempo todo, sabe? Será que você consegue entender essa situação toda?
Meu cheiro fortemente doce adentrava suas narinas e a desconfigurava. Ela imaginava exageros comigo; quanto exagero ela imaginava, meu caro! Imaginava a minha boca, a dela. Meu pescoço, o dela. Meu corpo, o dela. Minha língua, a dela. Olhos, bocas, seios, barrigas, coxas, eu.
Esmurrava o chão de forma violenta... quatro, cinco, seis, sete, oito, nove socos. Ajoelhou-se e rastejou até bem perto do espelho velho e embaçado. Encostou-se nele e começou a rabiscar meu nome com seu batom vermelho. Agora meu nome já estava por todo aquele espelho. Rabiscou minhas iniciais, as dela, depois símbolos, circunferências, quadrados, retas. E rabiscava com muita raiva, aleatóreamente, preechendo todo o espelho que refletia aquele poço de desespero, aquele ser deplorável; refletia aquela pele branca, agora vermelha, toda vermelha. Refletia aqueles olhos negros que se perdiam na própria escuridão em meio a lágrimas tão intensas capazes de perfurar minh’alma. Refletia toda aquela paixão por mim!
Chorava e berrava. Céus, com ela berrava! O batom se quebrou. E então, começou a arremeçá-lo para longe de si e, correndo ia buscá-lo. Repetiu estes atos por exatos sete minutos. Agora já com o corpo encolhido - aos berros - ela esfregava e arranhava a si mesma na ingênua esperança de tirar tudo que de mim, havia nela.

Ela estava louca.

segunda-feira, outubro 15

NãoNãoNão


Não brinque com fogo. Não brigue. Não fume. Não beba. Não experimente. Não vicie. Não peque. Não sofra. Não pise na grama. Não olhe bundas. Não assista tv. Não corra. Não ande na contra-mão. Não transe. Não roube. Não fale de boca cheia. Não cuspa. Não chore. Não vomite. Não bagunce. Não exagere. Não durma tarde. Não xingue. Não se canse. Não perca. Não ande à noite. Ñão quebre vidros. Não jogue pedras. Não fique nervoso. Não converse com estranhos. Não use drogas. Não tome sol. Não tome gelado. Não tome chuva. Não escorregue. Não se machuque. Não caia de cara. Não bata na cara. Não coma carne. Não coma doce. Não seja gordo. Não grite. Não se esconda. Não se rebele. Não fique de castigo. Não revele segredos. Não traia. Não chantageie. Não se atrase. Não duvide. Não tenha dívidas. Não seja mau. Não seja mal-educado. Não minta. Não finja. Não tenha defeitos. Não fuja. Não critique. Não odeie. Não seja ordinário. Não tenha más companhias. Não seja má companhia. Não sofra acidente. Não seja covarde. Não adoeça. Não ria alto. Não se altere. Não maltrate. Não insista. Não seja desatualizado. Não seja desinteressante. Não se iluda. Não esqueça. Não tenha medo. Não peça. Não seja pobre. Não seja derrotado. Não desista. Não arrisque. Não seja estúpido. Não enlouqueça. Não erre. Não seja normal. Não seja diferente. Não seja infantil. Não seja velho. Não mate. Não se mate. Não morra. Não exista.

sexta-feira, outubro 12



Basta-lhe minhas poesias vivas de amor?

terça-feira, outubro 9

Joguinho (=

"Chegou na calada, sem escolta, embrulhado numa manta apesar do calor, e com três amantes que instalou numa mesma casa, onde passava a maior parte do tempo estendido numa rede."

Divertido, hein Piter?!

1º - Pegue um livro próximo (PRÓXIMO, não procure).
2º - Abra na página 161.
3º - Procure a 5ª frase completa.
4º - Postar essa frase em seu blog.
5º - Não escolher a melhor frase nem o melhor livro.
6º - Repassar para outro 5 blogs.
Dica: Caso o livro não tenha a página 161, use a numerologia:1 + 6 + 1 = 8

http://minhanovaera.blogspot.com/

http://apenaspensamentossoltosnoar.blogspot.com/

http://just-to-be.blogspot.com/

http://nenhumcaminho.blogspot.com/

http://restoseraspas.zip.net/

Prontinho, gente.

sexta-feira, outubro 5

Velhança




Espero sentada uma bebida forte e amarga, enquanto a vida passa num sopro de vento. Sem hora certa, percebo que a velhice, sem atraso, está tomando conta de mim. Cansada e enrrugada, cheirando à conhecimento mal-passado, começo a me fazer peruguntas das quais até hoje não descobri as respostas. E agora há confusão mais uma vez nos meus enferrujados pensamentos.
Olho pro lado e o que vejo são rostos totalmente desconhecidos, donos de uma futilidade sem tamanho. Uns mais belos, outros menos; exalando disposição para que os velhos como eu fiquem se remoendo de inveja. E se afoguem ainda mais em angústia pela vida , que de fato, está acabando. Acabando assim, sem dar satisfação alguma e sem mesmo despedir-se. Uma puta de uma sacanagem. Por mais que eu esteja velha, mofada, não me sinto preparada para a morte. Nesses anos vividos nunca conheci alguém que estivesse realmente preparado para o fim da vida.
E agora que ninguém me oferece ao menos um cigarro e a minha bebida não chega? O fim que me resta é tentar enganar a morte, numa incessante pobreza de armações, sentada numa mesa de bar.

terça-feira, outubro 2

Vem, meu bem


E me diz o que é que tem
Se não andas assim tão bem, vem
Mesmo que exista outro alguém, meu bem
Vem que tem

segunda-feira, outubro 1

A Junia










  • A Junia é humanas. Em cima da hora. Atraso e perda de tempo. A Junia é por acaso. É droga alternativa. Pulsante, escorregadia. Certeza de erro e dona da razão. Um anúncio. Ela sempre vira passado no futuro. Arco-íris de cal. A Junia não é fila de cinema, é esquina. Ela não procura e não acha. Não consegue começar do zero. Quando não fala, gagueja. E quando fala, nem sempre é coisa com coisa. A Junia é nova pasta nos registros. É espermatozóide vencedora. Socialmente retardada. E é bem por aí mesmo.

segunda-feira, setembro 24

Em você, sem você



E eu me vi irreconhecível
Palavras jamais ditas por mim
Mas já ouvidas por ti
E agora que já estou assim,
Solta de mim?
Presa e amarrada à ti
Interessa de quem é a culpa dessa dor, amor?


Já cantei meu coração apaixonado
Mesmo que desafinado
Mas você, meu bem
Não ouve o som que me faz tão bem

Só me sinto em você
Só me acho em você
Só me perco em você
Sem noção e sem rimas
Porque é na simplicidade de um coração
Que se encontra a complexidade de uma paixão

Mas eis que agora percebi
Uma espada fincada
Nos olhos que te faz bela, paixão
E assim me vi cega,
Só consigo sentir esse pobre coração!

E hoje eu queria
Aceitar as alegrias e tristezas
Sem desespero
Ao menos hoje não queria me ver em ti
Pra lhe fazer sorrir

domingo, julho 29

Golfinhos


  • O relógio marca quatro e trinta e sete da tarde, horário de Brasília. E no ônibus de algum lugar em São Paulo, pessoas encaloradas e mal-humoradas disputam nem que seja um centímetro daquele mísero espaço. Está calor, muito calor. Com isso, os fétidos, fedem mais; e ele não gosta disso, não mesmo. Coisa que não suporta é gente fedida, suada. Mas não se tem outro jeito, tem que ficar ali, de pé, tentando assim como todos os outros, aumentar seu espaço que gira em torno de seu umbigo.
    Em meio a todo aquele odor de pessoas velhas que não usam anti-transpirante, de pessoas jovens que trabalham o dia todo naquela cidade-lixo, de crianças pequenas que precisam de fraldas limpas e mães suadas, muito suadas por toda aquela situação. Em meio a tudo isso, ele avista uma garota sentada ao lado da janela. Dava pra ver seus olhos reparando claramente na tatuagem dela. Golfinhos. Três golfinhos, exatamente.
    A senhora ao lado percebe o quanto o jovem fica agitado contornando a garota com os olhos brilhantes. Ela gosta disso e chega a uma conclusão feliz, depois de um péssimo dia de trabalho, como todos os outros. Esboça um sorriso e murmura algo em voz baixa e rouca. Balança a cabeça e se julga tola. Continua ali, suada e pensativa.
    Ele não enxerga mais nada à sua volta. Não vê o policial doente, a criança graciosa, a senhora pensativa. Tem olhos apenas para a tatuagem e o todo que a acompanha. Olha excitado para cada detalhe da nuca, dos golfinhos. Cabelo amarrado, deixando assim que os claros e ralos pêlos se confundissem com os fios castanhos do calebo. Ele imagina tudo aquilo que um garoto de dezenove anos como ele imagina. Não liga, ninguém está reparando mesmo. E outra, ninguém tem nada a se meter em sua vida, muito menos em seus pensamentos pevertidos, ou não.
    Ele quer ver os seios, não consegue. Gente demais, gente fétida que ocupa muito espaço. Estica bem o pescoço, inclina o corpo. Fica nas pontas dos pés. Sente algo. Algo roçando nele. Rapidamente olha para trás. Um homem que aparenta uns 30 anos de idade, boné, camiseta larga, bermuda e tênis sujo. Tenta reagir, ou agir. Nada. Não tem como, nem mesmo consegue virar seu corpo magro. Então resolve fingir que nada acontece. Parece-lhe a opção menos pior no momento. Pensa nela. Pensa muito nela, e nos golfinhos.
  • A garota se move. Ele estático, observa. Ela levanta, começa a andar. Caminha em sua direção, custosamente. Começa a se esfregar nas outras pessoas, esfrega muito. E ele ali, tentando alcançá-la com os olhos. Ela vem se aproximando. Passa pelo homem de antes, o cara força. Mas nada além disso, ela já havia passado. A garota, exausta, passa a mão na nuca e joga o pescoço para direita. Já está de cara com ele. Ele olha, e olha, e olha.
    Ela de costas, quase indo embora, descendo para uma estação qualquer. Agora ela sente algo úmido e quente contornando o primeiro golfinho, o maior; e depois uma mão no ombro. Ela tenta algo, mas ele segura. Ela faz força e ele contorna todos os golfinhos com a língua. Ela grita, grita e começa a chorar, desesperada. Ele sai correndo; pisa no pé de alguém, de alguém e de alguém; desce ali mesmo, sem saber aonde está.
    Enquanto uns são mais espremidos que os outros, a senhora já não pode mais voltar feliz para casa e novamente murmura algo em voz baixa e rouca. A garota fica do mesmo jeito, chorando, por minutos. Certas tardes são assim, deve ser mesmo o calor.

  • Aos passageiros encalorados, suados.

  • Ouvindo: Música Urbana 2 - Legião Urbana

"E a matilha de crianças sujas no meio da rua -

Música urbana.

Nos pontos de ônibus estão todos ali: música urbana."

  • Frase: "A vida é se atirar do décimo andar e, ao passar pelo oitavo, constatar: 'Até aqui tudo bem'. E ao chegar ao segundo andar, refletir: 'Bem, se eu não me machuquei até aqui não é nesse pedacinho à toa que eu vou me arrebentar'.” Millôr Fernandes

quinta-feira, junho 28

Samba

Quando um dia, acordou e percebeu que em sua própria volta tinha aquele poço de porquês para ser feliz; ela então, decidiu se olhar no espelho, assim como os dramas propunham. Resolveu descer do trono e pular Carnaval com a vida. Ela faria do seu jeito agora. Preocuparia em ser gentil, e não apenas certa. Despreocuparia e pensaria. Seria serena e sábia para continuar. Teria motivos de sobra para cantar, para dançar, remexer e acordar todo dia. Teria amigos bobos, matemáticos, sumidos e assumidos, para conversar na aula que quisesse e ainda, descolar uma boa cola. E depois de tudo, teria para onde fugir e aprenderia novamente a amar sem em troca amada ser. Teria com quem cantar e contar a qualquer momento. E também teria abrigo quando já não se pudesse mais. Só para ver deitar o sol sobre os seus braços, só para fazer do seu sorriso um abrigo. Para ser feliz, não importando a circunstância.


Aos de bem com a vida.


Ouvindo: Los Hermanos – Todo Carnaval Tem Seu Fim
"Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz!
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz!"



Frase: "Se queres ser feliz amanhã, tenta hoje mesmo."Liang Tzu


sábado, junho 23

Uma questão de melhoria



  • Os jogos Pan-americanos têm grande influência nas mudanças sócio-econômicas do país que o sedia. Basta ver o que aconteceu com a capital sul-coreana e a cidade espanhola de Barcelona, revitalizadas em diversos aspectos após os Jogos Olímpicos de 1988 e 92, respectivamente. No Rio de Janeiro, o turismo será fortemente incentivado com a construção de hotéis e melhora da infra-estrutura turística, ajudando assim, na consolidação do Rio como líder da indústria de turismo da América Latina.
    É necessário um amplo estudo dos impactos causados durante o evento, que derivam dos gastos realizados pelas testemunhas dos acontecimentos, equipes esportivas e jornalistas nas mais diversas atividades relacionadas. Em caso de vulnerabilidade, pode resultar em crimes cometidos contra atletas, espectadores e jornalistas, o que pode gerar uma sobre exposição na mídia, trazendo conseqüências negativas para a atividade turística local. Desta forma, é exigida uma ampla coordenação entre a polícia e os organizadores dos eventos, de forma a proteger os visitantes de participantes das ações criminosas.
    Os investimentos devem ser aplicados com responsabilidade, isto é, os recursos públicos têm de se orientar para a redução das desigualdades espaciais e sociais presentes na cidade do Rio. As estruturas e os programas esportivos que virão com os jogos serão importantes instrumentos para dimensionar os impactos sociais, presentes na vida de milhares de cidadãos e cidadãs que vivem em comunidades populares cariocas.
    Com a realização dos Jogos Pan-americanos de 2007, projetos sociais serão implantados nas áreas mais carentes da cidade. Um desses projetos tem como objetivo educar os jovens durante e após os jogos com aulas de cidadania, ética, solidariedade, trânsito e turismo. Este seria o lado mais benéfico de sediar os jogos. Podendo assim, modificar e melhorar a realidade dos jovens e do país.

  • Aos sedentos críticos que não apoiam os Jogos.

  • Ouvindo: Brazuca - Gabriel O Pensador
  • "Nenhum dos dois estudou,
  • Porque não existe educação pro povo no país do futebol
  • 'Futebol não se aprende na escola'
  • Por isso que o Brazuca é bom de bola..."

  • Frase: "Nada fracassa mais que a vitória, e vice-versa" Millôr Fernandes

domingo, maio 20

E no mundo, um vômito.


  • Sente os sentidos. Enxerga a luz, ouve a voz. É melodia suave, envolvente. Sobrevoa o céu, desce ao inferno. Agora é berro, é grito. Não consegue sair do perdido. Ninguém o percebe. Todos indo e vindo com armaduras enferrujadas e desenhadas. O grito se cala, a melodia se cansa. Perde os sentidos. Sente a dor de não ser mais o mesmo, de não estar no começo. Chora sem medo. Encolhe-se. Começa a atar os nós. Quer prisão. Nada de colorido, de forma. Prefere o preto, o branco, o reto. O frio o enxerga e toma conta. A morte o engole desse mundo morto, abortado. Engole, mas não digere. Forte demais pra se tornar fétido. Pesado demais pra não fazer mau. E acaba sendo vomitado, de novo. Agora é vômito. Vômito vivo, vômito acabado.

  • Aos que se enjoam facilmente.

  • Ouvindo: Boas novas – Cazuza
    “Senhoras e senhores
  • Trago boas novas
  • Eu vi a cara da morte
  • E ela estava viva”

  • Frases: “Os males de que padecem o ser humano, em seu maior número, vêm dele mesmo.” Plínio.

quinta-feira, maio 10

Anômelo



Chamam-me pelo nome
Um nome sem sobrenome
Um nome que só sei o codinome.





  • Aos anônimos.




  • Ouvindo: Metade – Adriana Calcanhoto
    “Eu perco o chão.
    Eu não acho as palavras.”


  • Frase: "Nome - palavra que designa pessoa, coisa ou animal." Priberam Informática.

sexta-feira, maio 4

Sobras de faltas


  • Falta comida ou sobra humor?

  • Aos famintos de humor.
  • Aos famintos de comida.

  • Ouvindo: O mundo anda tão complicado - Legião Urbana
  • "Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
  • O mundo anda tão complicado
  • Que hoje eu quero fazer tudo por você."

  • Frase: "Nem só de pão vive o homem. E nem só desse tipo de afirmativa idiota." Millôr Fernandes.

quinta-feira, abril 26

Ele, eles


  • Ele se vira, ele de costas. Ele vai, abraça. Ele beija de novo, abraça de novo, acaricia de novo. Já se tinha passado uma hora e quarenta. E ele ali. Decide sair, ele saí, eles saem. O celular toca: “Alô. Oi, amor, tudo bem? Ah, sim. Ele vai, estamos chegando ai, acabamos de sair do escritório, meu bem. A ‘Su’ já chegou ai também? Tá, ele tá te mandando outro. Beijo, te amo.”
    Ele se vira, ele de frente. Ele vai, abraça. Ele beija de novo, abraça de novo, acaricia de novo...

  • Às que conversam com o marido pelo telefone.

  • Ouvindo: O tempo não pára - Cazuza.
  • O meu prazer
  • Agora é risco de vida
  • Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
  • Eu vou pagar a conta do analista
  • Pra nunca mais ter que saber quem sou eu

  • Frase: Nada se compara à insignificância de um prazer.

segunda-feira, abril 16

Contraste


Rabisco o branco no preto
Pra mostrar
Todo o contraste

Entre religião...
...e salvação

Entre viver...
....e ser

Entre prazer...
... e perdição

Entre ler...
...e reler

Entre persistência...
...e insistência

Entre o vão...
...e a escuridão

Entre beleza...
...e benevolência

Entre sexo...
...e amor

Entre contraste...
..e cor

Entre preto...
...e branco.



  • Aos que não enxergam o contraste da realidade.



  • Ouvindo: Somos quem podemos ser - Engenheiros do Hawaii
"A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez"


  • Frase: "Tudo é forma, além da cor."

terça-feira, março 27

Um lado



  • Não, espera. Eu posso explicar, juro. Não é verdade. Eu te amo! Não chora, não gosto de te ver assim. É, eu sei, mas eles estao mentindo. E essa tal sempre me deu mole, ela quer estragar o nosso amor. Que amiga sua que nada, se amiga fosse, não faria o que fez. Olha pra mim, olha! Pára. Não to mentindo. Não grita. É, eu sai sem avisar, mas não fiz nada, juro, eu te amo. É, mas você não confia em mim? Confiava? Tava cansado fui andar à toa. Espera, para de andar. Não, não! Não foi isso. Eu já disse que posso explicar. Tudo terminado? Voce não sabe o que esta falando. Não, eu não entendo. Assim não. Tem certeza? E o nosso amor? E as promessas? Eu te amo. Não to te machucando. Pára. Não funciona assim, entenda. Pára de chorar, nada disso é verdade. Não vai embora. Espere! Pára! O carro!

  • Aos que acreditam em destino.

  • Ouvindo: Mutante - Rita Lee
  • Afinal de contas dei meu coração
  • E você pôs na estante
  • Como um troféu
  • No meio da bugiganga
  • Você me deixou de tanga
  • Ai de mim que sou romântica!

  • Frase: "Nunca diga uma mentira que não possa provar." Millôr Fernandes


quinta-feira, março 8

Homem






  • Que coisa é o homem?

  • Como consegue o homem unir-se a outro homem?

  • E matar outro homem?

  • Como fazer a si próprio?

  • É homem por cima de homem,

  • Homem após homem.

  • Quanto vale o homem?

  • Hoje o homem vale mais que ontem?

  • O homem morto vale menos que outro homem?

  • Ou vale mais?

  • Por que um vale menos que outro,

  • Se o valor de homem é medida de homem?

  • Homem que indaga homem com as palavras do homem,

  • Por que mente o homem?

  • Por que chora o homem?

  • Por que morre o homem?

  • Por que vive o homem?

  • Pra que serve o homem?

  • Pra servir o homem?

  • Aos que acreditam no poder do homem sobre o homem.

  • Ouvindo: Quando o carnaval chegar - Engenheiros do Hawaii
  • "E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando
  • Que eu vou aturar
    E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
  • Tô me guardando pra quando o carnaval chegar..."

  • Frase: "O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é." Millôr Fernandes.








domingo, fevereiro 25

Satisfação garantida




  • Os olhares se cruzam e ela sorri um sorriso.
    Pra ele ja é o suficiente, oferece-lhe uma bebida.
    Um gole, dois goles, três goles. Um beijo, dois beijos, vários beijos.
    ...
    Ela pula, cruza as pernas nas costas dele. Ele faz força e aumeta o ritmo do beijo. Morde a lingua dela, ela geme. Ele consegue abrir a porta, com os pés a empurra devagar. Ela contra parede, incendiando ele. Mão na nuca dele e a outra nas costas. Ela aperta. Mão esquerda dele no pescoço dela, a direita apertava fortemente seu seio direito. Ela range, ele suspira. Param por um instante e se encaram. Ela louca, ele louco pra ir além. Incandescentes, continuam. Mão direita dela no cabelo dele. As mãos dele nas costas dela, e descendo. Desce até o cós da calça, agarra firme e puxa lentamente para a esquerda. Agora, pernas entrelaçadas, movimentos ritmados. A língua dela no ouvido dele. Ele agarra as mãos dela e as pressiona contra a parede, ela se rende. Ele morde o queixo dela, ela deseja com veemência. Ele, com a língua, percorre ela. Ela o beija com força, morde-lhe o lábio inferior, ele sangra. Ela aprecia o gosto, ele geme. Ele já despido, ela sendo despida. Ele suando, ela também. As mãos dele nas costas dela, com força, puxam, roçam. Ela geme. Agora ele dentro dela. Ela o puxa ainda mais pra dentro de si. Ele, ela. Abraçam-se com muita força. Ela franze a testa. Ele no ápice, ela também.

  • Aos que acreditam em amor à primeira vista.

  • Ouvindo: Pose - Engenheiros do Hawaii
  • "Vamos passear depois do tiroteio,
  • Vamos dançar num cemitério de automóveis,
  • Colher as flores que nascerem no asfalto..."

  • Frase: "Amar não é para amadores." Millôr Fernandes

sexta-feira, fevereiro 16

Ela numa gota d'água







  • Tranca-se no banheiro, quer se sentir só, é isso. Como é prazerosa aquela solidão! Encolhe-se e apoia nas paredes frias e velhas, que naquele instante é seu único ponto de equilíbrio.
    O cheiro do não-vivo paira pelo ar.
    Está ali, querendo chorar o que não sente mais. Está anestisiada do mundo, da vida, anestesiada de ser vida.
    Quer chorar. Não por tristeza nem por dor. Nem por raiva ou nervossísmo. Quer chorar, mas não consegue. Tudo parece tão desiteressante, e o que era interessante antes, não mais existe.
    Os olhos impressionantemente mortos, sente a dor. Faz marcas no seu corpo. A pele clara e macia, cortada e ardendo.
  • Quer manter cada corte em carne viva. Em eterna exposição, mas expor pra quem, se está vivendo dentro de uma gota d’agua?! Duma insignificante gota d’agua.
    Geme e sente por dentro toda a dor da ferida. Mas o pior é saber que vai cicatrizar. Essa sempre é a pior parte. Nunca prevalece, sempre acaba. E ela sente que tem que fazer tudo novamente.

  • Luta, tenta ser forte. Mas quando os antedepressivos e os calmantes não fazem mais efeito, consente que a loucura está presente e sente a essência estranha do que é a morte.

  • Aos que vagam pelo mundo, derrotados.

  • Ouvindo: Vida louca vida – Cazuza
    Vida louca vida, vida breve
  • Já que eu não posso te levar
  • Quero que você me leve

  • Frase: A diferença entre o remédio e o veneno é apenas a dose.

terça-feira, fevereiro 6

Seja bem-vindo!






  • _ Cumprimenta o povo, Junia.
    _ Quê?
    _ Diga
    oi, Junia.




    _ Oi, Junia.











  • Depois de todo mundo, eu também tenho um blog.
    Meuzinho da Silva. Em cores e não-vivo.
    Divertam-se!








  • Sonho

Virou-se de lado na cama. Olhou o despertador e afundou a cabeça no travesseiro. Segunda-feira, que merda.
Sete e trinta.
Fechou os olhos por um segundo só.
Sete e trinta e cinco.




Acordou novamente. Fez a barba, cortou um pouquinho do lábio. Apertou com força os dentes contra parte de dentro da bochecha, por causa do susto. Agora sua boca sangrava por dentro e por fora. O gosto do sangue era bom, até. Vedou o corte no lábio com um pedaço de papel higiênico, mas para o de dentro não arranjou solução senão engolir os litros e litros de sangue que lhe escorriam pela boca. Sufocou com o sangue. Pulou sentado na cama, assustado.
Sete e quarenta e quatro.




Levantou da cama e foi direto para a cozinha. Tomou o café em dois ou três goles, mas não comeu nada. Uma lagartixa o encarava ao lado da xícara. Ele pega uma faca, corta a lagartixa no meio e espalha manteiga dentro dela. Morde a lagartixa. Gostoso, mas alguma coisa está estranha. “Droga, lagartixa sem molhar no café não tem o mesmo gosto.” Deixou a lagartixa pela metade e foi para o trabalho.
Passou a mão no telefone, mas a dona Paulina, sua professora do primário cutuca suas costas.
_ Nu?!
Como ele não tinha percebido? Olhou para os lados e viu todos os seus colegas rindo. Pelado, na sala de aula! Ele tenta sair correndo. Corre, corre, corre, não se move. Então o Zorro chega e lhe pedi uma jujuba verde.
Oito e dezenove.




Bateu o olho no despertador e saiu correndo. Vestiu a primeira roupa que viu pela frente, mostrou as cerdas da escova para os dentes e conseguiu pegar o ônibus para chegar ao trabalho a tempo.
Abre a porta da sua sala e vê uma moça sentada na sua mesa e pergunta:
_ Quem é você?
_ Bromélia - ela berra.
Ah, tudo mais do que explicado, era a Bromélia. “Ei, mas essa é minha sala!” Nisso, seu chefe entra na sala vestido de bailarina, lhe manda uma banana, sobe num unicórnio e sai voando pela janela.
Oito e vinte e dois.




Pulou da cama. Sonhos, quantos sonhos!, e já devia estar no trabalho à essa hora. Veste-se com pressa, vai para a cozinha e se depara com uma lagartixa na mesa. “Não, de novo, não”. Tenta abrir os olhos, já que sabe que está sonhando. Não consegue. Abre a janela do quarto e vê a professora do primário passar pela rua. Tenta abrir os olhos e acordar novamente, sem sucesso.
Vai para o trabalho assim mesmo. O chefe diz que vai conversar muito seriamente com ele assim que voltar da apresentação de balé de sua filha. A filha do chefe aparece com um unicórnio de brinquedo na mão, vestida de bailarina.
Chuta a filha do chefe para longe. Enfia uma direita no olho esquerdo do chefe. Abre a porta de sua sala e grita “Bromélia aqui?! Não!”. O chefe reage embasbacado.
_ O que tá acontecendo aqui?
_ Eu não como lagartixa! Eu não quero comer lagartixa!
_ Você tá bêbado?
_ Se eu correr, eu quero me mexer!
_ Você tá bêbado!
_ Cadê o Zorro, hein?
_ Seu louco!
_ Eu não tô pelado aqui, viu? Eu me vesti!
Dez e quarenta e quatro.




Acordou num hospício. A obrigação de levantar cedo numa segunda-feira o deixou louco, louco.






  • Aos filhos de Cristo, cada vez mais ricos.




  • Ouvindo: O papa é pop – Engenheiros do Hawaii
    “Toda catedral é populista
    É pop, é macumba pr’a turista
    E afinal? O que é Rock'n'roll?
    Os óculos do John, ou o olhar do Paul?”





  • Frase: "Admiro Deus, mas não a sua obra, que paraíso é esse que tem cobra?" Millôr Fernandes.